Especialista fala sobre insuficiência renal felina e quais são as consequências para os animais

Especialista fala sobre insuficiência renal felina e quais são as consequências para os animais

Mau funcionamento do órgão pode acarretar complicações na saúde dos gatos e é preciso ficar atento aos sinais que o animal pode dar ao longo do tempo.

Os rins são extremamente importantes para filtrar o sangue e eliminar substâncias nocivas ao organismo nos seres humanos. Com os animais não é diferente. O mau funcionamento do órgão pode acarretar complicações na saúde do animal, e é preciso ficar atento aos sinais.

A doença renal nos felinos se define pela incapacidade dos rins em desempenhar o seu papel, que é fundamental na filtração e eliminação de substâncias tóxicas e reaproveitar elementos importantes para o organismo, conforme explica o médico veterinário Adelmo Miguel.

Segundo ele, todos os gatos estão propensos a desenvolver a patologia. No Brasil, a população de gatos persas é superior às demais, raça que tem uma propensão maior de desenvolver a doença.

Sintomas

Segundo o veterinário, o diagnóstico da doença pode ser feito no próprio exame de sangue. “No hemograma, como é chamado, é possível detectar pelos níveis de creatinina, que se estiver em nível elevado, indica a doença”.

Ainda de acordo com o especialista, os pacientes chegam ao consultório desidratados, apáticos, apresentando vômito e náuseas.

“Também destaco que a maioria deles aumenta o consumo de água como sintoma, e consequentemente, urinam mais. É bom se atentar a esse detalhe”, comenta.

Se a doença for diagnosticada logo no início, as possibilidades de cura são maiores. “Apesar disso, é preciso ficar atento à agilidade em procurar um tratamento, pois dependendo da situação, pode ser irreversível”, comenta.

Tratamento

O tratamento de um animal com insuficiência renal consiste em cuidados de suporte paliativos, como o controle de infecções urinárias e pressão arterial, uma vez que muitos destes animais apresentam-se hipertensos.

“Também é recomendado uma dieta própria com baixos níveis de sódio e fósforo, como forma de equilibrar a doença”, conta o médico.

Porém, muitas vezes, o exame pode ser tardio, pois somente após a perda superior a 75% dos rins é detectada em resultado.

“Em termos de confiança, o exame de SDMA (dimetilarginina simétrica) é mais confiável, pois detecta lesões renais com até 2 anos de antecedência quando comparado ao exame de sangue”, explica.

Prevenção

Apesar de existir prevenção da doença, há também o fator genético que pode acarretar no aparecimento do problema.

“Muitas doenças, como a renal policística, também conhecida como PKD, possuem origem genética e acometem com muita frequência os gatos persas, himalaia e exóticos de pelo curto, por exemplo. Por isso, é importante verificar a saúde e genética dos pais e avós antes de adquirir um filhote”, comenta o médico.

Além disso, a cirurgia de transplante renal ainda não é uma realidade na medicina veterinária. “Uma vez estabelecida a doença, o tratamento é paliativo a base de medicamentos e dieta terapêutica. Casos graves e não responsivos são encaminhados à diálise”, comenta o médico.

É importante ressaltar a atenção sobre o bichos para que nenhum detalhe passe despercebido. “Exames anuais preventivos para felinos, principalmente após os 5 anos de idade, são imprescindíveis, como ultrassonografia e exames genéticos através de análise do sangue. Doenças diagnosticadas em estágio inicial são infinitamente mais fáceis de lidar”, comenta.

*Colaborou sob supervisão de Paola Patriarca

Por Marília Moraes*, G1 Sorocaba e Jundiaí –